Verbos que remodelam a frase: zanna e kada

B2 ظَنَّ وأَخَواتُها وكادَ وأَخَواتُها 59 / 70

Em resumo

As lições 43 e 44 mostraram-lhe duas máquinas que pegam numa frase sem verbo e lhe mudam os casos: كانَ deixa a primeira palavra مَرْفوع e empurra a segunda para o acusativo, إِنَّ faz o movimento inverso. Esta lição acrescenta as duas últimas máquinas deste tipo. ظَنَّ وأَخَواتُها engolem a frase nominal inteira e transformam as duas partes em acusativos — الجَوُّ جَميلٌ torna-se ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا. كادَ وأَخَواتُها mantêm a primeira parte مَرْفوع e exigem que o predicado seja um verbo no مُضارِع em vez de um nome — كِدْتُ أَسْقُطُ, «quase caí».

Partilham a mesma lição porque partilham um mesmo hábito: cada uma pega numa frase que já sabe construir e dobra-lhe as terminações. O trabalho está em três pontos — lembrar que ظَنَّ quer dois acusativos e não um, lembrar qual irmã de كادَ insiste em أَنْ e qual o proíbe, e sobreviver a dois radicais complicados (ظَنَّ é geminado, كادَ é oco) que se remodelam assim que um sufixo começa por consoante.

Regra

1. ظَنَّ come uma frase nominal e produz dois complementos. Parta de qualquer مُبْتَدَأ mais خَبَر, ponha um destes verbos à frente, e as duas palavras ficam مَنْصوب:

الجَوُّ جَميلٌ. → ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا. — «pensei que o tempo estava agradável».

A gramática tradicional chama aos dois vocábulos مَفْعولانِ أَصْلُهُما المُبْتَدَأُ والخَبَر — «dois complementos cuja origem é o sujeito e o predicado». Guarde esse nome, porque lhe dá o teste: se as duas palavras não forem uma frase por si sós, não são um par de ظَنَّ. الجَوُّ جَميلٌ é uma frase, por isso ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا funciona; الكِتابُ الجَديدُ é apenas um nome mais o seu adjetivo, por isso *ظَنَنْتُ الكِتابَ الجَديدَ não diz nada.

2. Os membros de que realmente precisa. A lista tradicional é longa e metade dela está morta. Estes oito sustentam o árabe moderno:

ظَنَّ، حَسِبَ، وَجَدَ، رَأى، عَلِمَ، اِعْتَبَرَ، جَعَلَ، اِتَّخَذَ

Dividem-se em três grupos de sentido, e agrupá-los é mais fácil do que decorá-los um a um:

  • achar provável — ظَنَّ «pensar, supor», حَسِبَ «julgar, considerar». O falante pode estar enganado, e muitas vezes está.
  • saber ou julgar que é assim — عَلِمَ «saber (que é)», وَجَدَ «encontrar/verificar (que é)» relatam um facto; رَأى «considerar, tomar por», اِعْتَبَرَ «considerar, contar como» proferem um veredito.
  • transformar X em Y — جَعَلَ «transformar em», اِتَّخَذَ «tomar como». Aqui o segundo acusativo é um resultado, não uma opinião.

3. Os dois complementos são مَنْصوب, e a ordem é fixa. O primeiro acusativo é a coisa a ser julgada, o segundo é o julgamento: اِعْتَبَرْتُ القَرارَ خَطَأً. Se os trocar, troca o significado, exatamente como em inglês «I consider the decision a mistake» face a «I consider the mistake a decision». O segundo complemento também pode ser uma expressão ou uma oração, e nesse caso não há terminação para mudar: ظَنَنْتُهُ في المَكْتَبِ. / ظَنَنْتُ الطَّبيبَ يَنْتَظِرُني.

O primeiro complemento é frequentemente um pronome sufixado — ظَنَنْتُهُ نائِمًا «pensei que ele estava a dormir», وَجَدْتُها مُغْلَقَةً «encontrei-a (fem.) fechada». O pronome está a fazer o trabalho de acusativo tal como na lição 29; só a segunda palavra continua a mostrar uma fatḥa visível.

4. Metade destes verbos leva uma dupla vida. رَأى, وَجَدَ, عَلِمَ e جَعَلَ também são verbos transitivos comuns, e com um só complemento significam algo bastante diferente:

Um complementoDois complementos
رَأَيْتُ الرَّجُلَ. — vi o homem (com os meus olhos).رَأَيْتُ الرَّجُلَ صادِقًا. — considerei o homem sincero.
وَجَدْتُ المِفْتاحَ. — encontrei a chave (que estava perdida).وَجَدْتُ الدَّرْسَ سَهْلًا. — achei a lição fácil.
عَلِمْتُ الخَبَرَ. — soube a notícia.عَلِمْتُ الخَبَرَ صَحيحًا. — soube que a notícia era verdadeira.
جَعَلَ الكِتابَ عَلى الطّاوِلَةِ. — ele pôs o livro em cima da mesa.جَعَلَ الغُرْفَةَ مَكْتَبًا. — ele transformou a sala num escritório.

Nada marca a diferença exceto o número de acusativos. Conte-os antes de traduzir.

5. اِعْتَبَرَ é o cavalo de batalha da imprensa. É um verbo da forma VIII da raiz عبر (اِعْتَبَرَ, يَعْتَبِرُ), e o jornalismo moderno funciona à base dele: اِعْتَبَرَتِ الصَّحيفَةُ القَرارَ خَطَأً فادِحًا. Aprenda ao mesmo tempo o seu passivo, porque o passivo é ainda mais comum do que o ativo. Quando um verbo de dois complementos vai para a passiva, o primeiro complemento torna-se نائِبُ الفاعِل e fica مَرْفوع, enquanto o segundo se mantém مَنْصوب exatamente onde estava (lição 52):

اِعْتَبَرَ الخُبَراءُ الاتِّفاقَ ناجِحًا. → يُعْتَبَرُ الاتِّفاقُ ناجِحًا.

Esse acusativo isolado a seguir a um sujeito مَرْفوع — يُعْتَبَرُ المَشْروعُ ضَرورِيًّا — é uma das formas mais reconhecíveis numa página de notícias.

6. A saída de emergência: أَنَّ. Os verbos de pensar e julgar — ظَنَّ, حَسِبَ, عَلِمَ, وَجَدَ, رَأى, اِعْتَبَرَ — também aceitam uma oração completa com أَنَّ em vez de dois complementos, e na prosa moderna essa é a construção mais comum:

ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا. = ظَنَنْتُ أَنَّ الجَوَّ جَميلٌ.

Repare como as terminações se invertem. Dentro de أَنَّ aplica-se a regra da lição 44: o nome depois de أَنَّ é مَنْصوب (الجَوَّ) e o seu predicado é مَرْفوع (جَميلٌ). Por isso a segunda palavra é acusativa na versão de dois complementos e nominativa na versão com أَنَّ — اِعْتَبَرَتِ الوِزارَةُ أَنَّ الخُطَّةَ ناجِحَةٌ. Os dois verbos de transformar X em Y não têm esta saída: جَعَلَ e اِتَّخَذَ precisam de dois complementos verdadeiros, e *جَعَلْتُ أَنَّ الغُرْفَةَ مَكْتَبٌ não é árabe.

7. ظَنَّ é مُضَعَّف, e a duplicação quebra-se. A raiz é ظنن, por isso os dois ن só ficam sob uma shadda enquanto a terminação começa por vogal: ظَنَّ, ظَنَّتْ, ظَنّوا, يَظُنُّ. Assim que uma terminação começa por consoante, as letras separam-se e a vogal do radical regressa — uma fatḥa, porque ظَنَّ é um verbo فَعَلَ (lição 49):

ظَنَّ → ظَنَنْتُ, ظَنَنّا, ظَنَنْتُمْ, ظَنَنَّ — nunca *ظَنَّتُ

A mesma cisão atravessa o presente com نونُ النِّسْوَة: يَظُنُّ mas هُنَّ يَظْنُنَّ. É o mesmo comportamento de ظَلَّ / ظَلِلْتُ da lição 43, com uma vogal diferente.

8. A segunda família: كادَ mais um مُضارِع nu. كادَ وأَخَواتُها — tradicionalmente أَفْعالُ المُقارَبَةِ والرَّجاءِ والشُّروع, «verbos de proximidade, esperança e início» — deixam o seu sujeito مَرْفوع e levam um verbo como predicado, sempre no مُضارِع:

كادَ الوَلَدُ يَسْقُطُ. — o rapaz quase caiu. كِدْتُ أَسْقُطُ عَلى الدَّرَجِ. — quase caí nas escadas.

كادَ significa «estava prestes a, quase fez» — e na afirmativa significa que a coisa não aconteceu. كادَ الوَلَدُ يَسْقُطُ diz que o rapaz se manteve de pé.

9. Quem leva أَنْ e quem o recusa. É toda a dificuldade prática desta família, e divide-se em três.

  • كادَ — sem أَنْ. كادَ يَسْقُطُ, كِدْنا نَصِلُ. O مُضارِع mantém a sua ḍamma normal do مَرْفوع.
  • أَوْشَكَ e عَسى — com أَنْ. أَوْشَكَ القِطارُ أَنْ يَتَحَرَّكَ. / عَسى المَطَرُ أَنْ يَتَوَقَّفَ. Como أَنْ está presente, o verbo fica مَنْصوب (lição 34): يَتَحَرَّكَ, não يَتَحَرَّكُ.
  • شَرَعَ, بَدَأَ, أَخَذَ — nunca أَنْ. شَرَعَ الطُّلّابُ يَكْتُبونَ. / بَدَأَ المُديرُ يَشْرَحُ الخُطَّةَ. / أَخَذَ الطِّفْلُ يَبْكي. *شَرَعَ أَنْ يَكْتُبَ está simplesmente errado.

Os verbos de início têm uma restrição extra: nesta construção só aparecem no passado. Diz-se شَرَعَ يَكْتُبُ, nunca *يَشْرَعُ يَكْتُبُ — para um presente «ele está a começar a» use بَدَأَ com um مَصْدَر: يَبْدَأُ العَمَلَ. Note também que جَعَلَ aparece aqui no sentido de «pôs-se a»: جَعَلَ يَضْحَكُ «desatou a rir». O mesmo verbo, duas famílias.

10. أَوْشَكَ e عَسى. أَوْشَكَ (forma IV, raiz وشك) conjuga-se normalmente: أَوْشَكَ, أَوْشَكَتْ, أَوْشَكْتُ, يُوشِكُ. É a forma neutra de «estar prestes a», ligeiramente mais formal do que كادَ e preferida quando o acontecimento é esperado, e não apenas evitado por pouco.

عَسى é جامِد — imobilizado. Não tem مُضارِع, nem أَمْر, nem particípio, e na escrita moderna é praticamente invariável: عَسى أَنْ يَصِلَ الوَفْدُ غَدًا «é possível que a delegação chegue amanhã». Exprime esperança, e vai encontrá-lo muito mais na leitura do que na sua própria escrita — لَعَلَّ (lição 44) faz o mesmo trabalho de forma mais natural. Também leva um pronome colado, e nessa forma o أَنْ é normalmente omitido: عَساهُ يَعودُ.

11. لَمْ يَكَدْ … حَتّى — «mal … e já». Negado, كادَ lê-se normalmente ao contrário: afirmativo كادَ = quase aconteceu mas não aconteceu; negado كادَ seguido de حَتّى = aconteceu, mas por pouco. Daí a estrutura fixa:

لَمْ يَكَدْ يَجْلِسُ حَتّى رَنَّ الهاتِفُ. — mal se tinha sentado, o telefone tocou. ما كادَ يَبْدَأُ الحَديثَ حَتّى قاطَعَهُ أَحَدُهُمْ. — mal tinha começado a falar, alguém o interrompeu.

ما كادَ e لَمْ يَكَدْ são intermutáveis aqui. A mesma leitura dá-lhe o utilíssimo لا أَكادُ أَسْمَعُكَ «mal te consigo ouvir» — eu ouço-te, mas mal. Fora destas duas estruturas, um كادَ negado pode igualmente ser uma negação total («nem perto esteve de o fazer»), razão pela qual os gramáticos discutem isto há séculos; leia-o a partir do contexto, não de uma fórmula. Note que لَمْ só põe o jussivo em يَكَدْ; o segundo verbo mantém a sua ḍamma, porque لَمْ não alcança mais do que o verbo que precede, e esse مُضارِع é uma oração à parte — o خَبَر de كادَ.

12. كادَ é أَجْوَف, e o seu radical encurta. A raiz é كود, e um alif longo não pode ficar diante de um sukūn (lição 50), por isso antes de uma terminação que comece por consoante colapsa numa vogal curta: كادَ → كِدْتُ, كِدْنا, كِدْتُمْ. Repare que a vogal é uma kasra: uma raiz com و deixa normalmente uma ḍamma (قالَ → قُلْتُ), mas كادَ é, na base, كَوِدَ / يَكادُ, a classe de خافَ / خِفْتُ, e essa classe mantém uma kasra. O مُضارِع é يَكادُ com fatḥa, e o jussivo encurta-o de novo: لَمْ يَكَدْ.

13. كادَ أَنْ — a nota honesta. Vai ver constantemente كادَ أَنْ يَسْقُطَ em jornais e romances. A gramática clássica desaprova — أَنْ com كادَ é descrito como قَليل, raro, e o مُضارِع nu é o padrão — mas o uso moderno tem, em larga medida, ignorado isso. Por isso reconheça كادَ أَنْ sem hesitar e escreva كادَ يَسْقُطُ, que ninguém alguma vez marcará como erro.

14. Isso não é tema desta lição. Quando uma partícula como ما, لا ou إِنَّ surge entre ظَنَّ e os seus complementos, o trabalho de caso do verbo é suspenso e a oração mantém as suas próprias terminações. Os gramáticos chamam-lhe التَّعْليق, e pertence, com as outras faces de ما, à lição 68. Os membros clássicos mais raros das duas famílias (كَرَبَ, طَفِقَ, حَرى, اِخْلَوْلَقَ, خالَ, زَعَمَ) pertencem ao registo da lição 70.

Formas e estruturas

ظَنَّ — o paradigma geminado, onde a cisão é visível

الضَّميرالماضيالمُضارِع
أَناظَنَنْتُأَظُنُّ
أَنْتَظَنَنْتَتَظُنُّ
أَنْتِظَنَنْتِتَظُنّينَ
هُوَظَنَّيَظُنُّ
هِيَظَنَّتْتَظُنُّ
نَحْنُظَنَنّانَظُنُّ
أَنْتُمْظَنَنْتُمْتَظُنّونَ
هُمْظَنّوايَظُنّونَ
هُنَّظَنَنَّيَظْنُنَّ

(As formas duais ficam de fora; mantêm a shadda — ظَنّا, ظَنَّتا, يَظُنّانِ.)

As oito irmãs de ظَنَّ

الفِعْلالمُضارِعSignificadoمِثال
ظَنَّيَظُنُّpensar, suporظَنَنْتُ الطَّريقَ قَصيرًا.
حَسِبَيَحْسَبُjulgar, considerarحَسِبْتُ الرِّسالَةَ عاجِلَةً.
وَجَدَيَجِدُencontrar/verificar (que é)وَجَدْتُ الدَّرْسَ سَهْلًا.
رَأىيَرىconsiderar, tomar porرَأَيْتُ الفِكْرَةَ مُمْتازَةً.
عَلِمَيَعْلَمُsaber (que é)عَلِمْتُ الخَبَرَ صَحيحًا.
اِعْتَبَرَيَعْتَبِرُconsiderar, contar comoاِعْتَبَرْتُ القَرارَ خَطَأً.
جَعَلَيَجْعَلُtransformar emجَعَلَ الغُرْفَةَ مَكْتَبًا.
اِتَّخَذَيَتَّخِذُtomar como, adotar comoاِتَّخَذَ الأَمْرَ ذَريعَةً.

Uma frase, três operações

الجُمْلَةTradução
الطَّقْسُ مُعْتَدِلٌ.O tempo está ameno.
ظَنَنْتُ الطَّقْسَ مُعْتَدِلًا.Pensei que o tempo estava ameno.
اِعْتَبَرْتُ الطَّقْسَ مُعْتَدِلًا.Considerei o tempo ameno.
ظَنَنْتُ أَنَّ الطَّقْسَ مُعْتَدِلٌ.Pensei que o tempo estava ameno.

كادَ — o paradigma oco

الضَّميرالماضيالمُضارِع
أَناكِدْتُأَكادُ
أَنْتَكِدْتَتَكادُ
هُوَكادَيَكادُ
هِيَكادَتْتَكادُ
نَحْنُكِدْنانَكادُ
أَنْتُمْكِدْتُمْتَكادونَ
هُمْكادوايَكادونَ
المَجْزوم (هُوَ)لَمْ يَكَدْ-

A família de كادَ e a questão de أَنْ

الفِعْلLeva أَنْمِثالSignificado
كادَ / يَكادُnãoكادَ الوَلَدُ يَسْقُطُ.quase, quase fez
أَوْشَكَ / يُوشِكُsimأَوْشَكَ القِطارُ أَنْ يَصِلَ.estar prestes a
عَسى (جامِد)simعَسى المَطَرُ أَنْ يَتَوَقَّفَ.talvez, tomara que
شَرَعَnãoشَرَعَ الطُّلّابُ يَكْتُبونَ.começou (só no passado)
بَدَأَnãoبَدَأَ المُديرُ يَشْرَحُ.começou (só no passado)
أَخَذَnãoأَخَذَ الطِّفْلُ يَبْكي.deu início (só no passado)
جَعَلَnãoجَعَلَ يَضْحَكُ.pôs-se a (só no passado)

Exemplos

العربيةPortuguês
ظَنَنْتُ الطَّريقَ قَصيرًا، فَمَشَيْتُ ساعَتَيْنِ.Pensei que a estrada era curta, por isso caminhei durante duas horas.
حَسِبْتُ الرِّسالَةَ عاجِلَةً فَفَتَحْتُها فَوْرًا.Julguei que a carta era urgente, por isso abri-a de imediato.
وَجَدْتُ الغُرْفَةَ نَظيفَةً عِنْدَ عَوْدَتي.Encontrei o quarto limpo quando voltei.
رَأَيْتُ الفِكْرَةَ مُمْتازَةً مُنْذُ البِدايَةِ.Considerei a ideia excelente desde o início.
اِعْتَبَرَتِ الصَّحيفَةُ القَرارَ خَطَأً فادِحًا.O jornal considerou a decisão um erro grave.
جَعَلَ المُهَنْدِسُ الغُرْفَةَ مَكْتَبًا صَغيرًا.O engenheiro transformou a sala num pequeno escritório.
اِتَّخَذَتِ الحُكومَةُ الأَمْرَ ذَريعَةً لِلتَّأْجيلِ.O governo tomou o assunto como pretexto para o adiamento.
ظَنَنْتُهُ نائِمًا فَخَرَجْتُ بِهُدوءٍ.Pensei que ele estava a dormir, por isso saí em silêncio.
ظَنَنّا أَنَّ الطَّريقَ مُغْلَقٌ بِسَبَبِ المَطَرِ.Pensámos que a estrada estava fechada por causa da chuva.
كِدْتُ أَسْقُطُ عَلى الدَّرَجِ.Quase caí nas escadas.
أَوْشَكَ القِطارُ أَنْ يَتَحَرَّكَ حينَ وَصَلْنا.O comboio estava prestes a arrancar quando chegámos.
عَسى المَطَرُ أَنْ يَتَوَقَّفَ قَبْلَ المَساءِ.Tomara que a chuva pare antes do anoitecer.
شَرَعَ الطُّلّابُ يَكْتُبونَ أَجْوِبَتَهُمْ.Os estudantes começaram a escrever as suas respostas.
لَمْ يَكَدْ يَجْلِسُ حَتّى رَنَّ الهاتِفُ.Mal se tinha sentado, o telefone tocou.

Erros frequentes

  • ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلٌ. -> ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا. — O antigo خَبَر não mantém a sua ḍamma. As duas metades da frase engolida ficam مَنْصوب, e é a segunda a metade que os estudantes esquecem.
  • ظَنَنْتُ الجَوُّ جَميلًا. -> ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا. — A primeira metade também. Um nominativo deixado para trás é o reflexo de كانَ وأَخَوات, e esta é a família errada para isso.
  • ظَنَّتُ أَنَّ الخَبَرَ صَحيحٌ. -> ظَنَنْتُ أَنَّ الخَبَرَ صَحيحٌ. — ظَنَّ é geminado: uma terminação que começa por consoante separa a shadda. (ظَنَّتْ, com um sukūn no ت, é a forma perfeitamente correta de «ela pensou».)
  • ظَنَنْتُ أَنَّ الجَوَّ جَميلًا. -> ظَنَنْتُ أَنَّ الجَوَّ جَميلٌ. — Assim que أَنَّ entra na frase, é أَنَّ que rege, não ظَنَّ: nome no acusativo, predicado no nominativo (lição 44). Não pode usar os dois sistemas ao mesmo tempo.
  • وَجَدْتُ البابَ مَفْتوحٌ. -> وَجَدْتُ البابَ مَفْتوحًا. — Se وَجَدَ tiver dois complementos é uma irmã de ظَنَّ, e o segundo leva uma fatḥa.
  • شَرَعَ أَنْ يَكْتُبَ الرِّسالَةَ. -> شَرَعَ يَكْتُبُ الرِّسالَةَ. — Os verbos de início recusam أَنْ, e sem أَنْ não há nada que torne o مُضارِع مَنْصوب.
  • كادَ الوَلَدُ يَسْقُطَ. -> كادَ الوَلَدُ يَسْقُطُ. — A terminação manṣūb chegou sem a sua causa. كادَ leva um مُضارِع nu, e um مُضارِع nu fica مَرْفوع.
  • كادْتُ أَسْقُطُ. -> كِدْتُ أَسْقُطُ. — كادَ é oco: o alif longo colapsa diante do ـْتُ, que começa por consoante, e a vogal que deixa atrás de si é uma kasra, porque كادَ se conjuga como خافَ / خِفْتُ, não como قالَ / قُلْتُ.
  • أَوْشَكَ القِطارُ يَتَحَرَّكُ. -> أَوْشَكَ القِطارُ أَنْ يَتَحَرَّكَ. — أَوْشَكَ com um مُضارِع nu é permitido e chega a ocorrer, mas أَنْ é, de longe, a forma normal moderna; mantenha أَنْ, e mantenha o conjuntivo depois dele.
  • يَعْسى الطَّقْسُ أَنْ يَتَحَسَّنَ. -> عَسى الطَّقْسُ أَنْ يَتَحَسَّنَ. — عَسى é جامِد: sem *يَعْسى, sem أَمْر, sem particípio. A forma com aspeto de passado carrega todos os sentidos.

Dicas

  • Use o teste da frase antes de escrever um duplo acusativo: retire o verbo e veja se as duas palavras se mantêm sozinhas como جُمْلَة اسْمِيَّة. الجَوُّ جَميلٌ passa no teste, por isso ظَنَنْتُ الجَوَّ جَميلًا é seguro.
  • Quando os dois acusativos o fizerem hesitar depois de um verbo de pensar ou julgar, use a via de أَنَّ. De qualquer modo é mais frequente na prosa moderna, e as suas terminações são as que treinou na lição 44. (جَعَلَ e اِتَّخَذَ não têm essa via com أَنَّ — precisam de dois complementos verdadeiros.)
  • Memorize a divisão de أَنْ como uma cantilena de três tempos — كادَ nunca, أَوْشَكَ e عَسى sempre, os verbos de início nunca. A maioria dos erros na segunda família é uma resposta errada a essa única pergunta.
  • Um único teste de radical cobre as duas famílias, o das lições 49 e 50: a terminação começa por consoante? Se sim, ظَنَّ → ظَنَنْ e كادَ → كِدْ. Se não, deixe o radical em paz.
  • Aprenda اِعْتَبَرَ junto com يُعْتَبَرُ — o passivo é a forma que encontra primeiro em qualquer jornal.
  • Distinga as duas famílias pelo que segue o sujeito: كانَ وأَخَوات levam um predicado nome no acusativo, كادَ وأَخَوات levam um verbo. كانَ الوَلَدُ نائِمًا contra كادَ الوَلَدُ يَنامُ.
  • Ignore por agora: التَّعْليق, os parentes cristalizados كَرَبَ e طَفِقَ, e os paradigmas duais. Os oito verbos de ظَنَّ e os sete da tabela de كادَ são todo o conjunto de trabalho.