A passiva e o substituto do agente
B1 المَبْنِيُّ لِلْمَجْهولِ ونائِبُ الفاعِل 52 / 70
Em resumo
O inglês constrói uma passiva com duas palavras — «was written». O árabe reconstrói a própria palavra por dentro: كَتَبَ torna-se كُتِبَ، يَكْتُبُ torna-se يُكْتَبُ. Não se acrescenta nem se retira nada; só as vogais mudam. E quem pratica a ação não é despromovido para um complemento agente — desaparece por completo. É isso que o nome árabe diz: المَبْنِيُّ لِلْمَجْهولِ, «construído para o desconhecido», contra المَبْنِيُّ لِلْمَعْلومِ, «construído para o conhecido». O que antes era o complemento entra então no lugar vazio do sujeito, leva o nominativo, e chama-se نائِبُ الفاعِلِ — o substituto do agente.
Isto é uma competência de leitura antes de ser uma competência de escrita. As notícias, a prosa oficial, a ciência e o direito funcionam à base da passiva, e dois dos verbos mais comuns do árabe literário do dia a dia são passivas que já tem usado como expressões feitas: وُلِدَ «ele nasceu» (lição 27) e لا يوجَدُ «não há» (lição 17). A mecânica é pequena — uma receita de vogais e duas exceções — e assim que a dominar, todos os verbos da língua, incluindo as raízes fracas, ficam cobertos.
Regra
1. A receita, nos dois tempos. Aprenda-a como duas sílabas e tem todo o sistema.
- الماضي: uma ḍamma na primeira letra, uma kasra na letra antes da última. كَتَبَ → كُتِبَ، فَتَحَ → فُتِحَ، عَلَّمَ → عُلِّمَ، أَرْسَلَ → أُرْسِلَ.
- المُضارِع: uma ḍamma na letra do prefixo, uma fatḥa na letra antes da última. يَكْتُبُ → يُكْتَبُ، يُعَلِّمُ → يُعَلَّمُ، يُشاهِدُ → يُشاهَدُ، يُرْسِلُ → يُرْسَلُ.
«A letra antes da última» significa a última letra da própria palavra, não a terminação de caso — em كُتِبَ o فَتْحة final é a terminação do passado, e a kasra fica no ت antes dele. Diga كُتِبَ - يُكْتَبُ em voz alta algumas vezes: u-i no passado, u-a no presente. Todas as outras afirmações desta lição são uma nota de rodapé a essas duas sílabas.
2. Primeira exceção: uma palavra que começa por هَمْزَةُ الوَصْلِ leva uma segunda ḍamma, na terceira letra. As formas VII, VIII, IX e X começam o seu passado com o alif de apoio da lição 48, que não tem vogal própria para mudar. Por isso o árabe dá a ḍamma ao alif e dá uma também à terceira letra: اِنْتَخَبَ → اُنْتُخِبَ، اِسْتَخْدَمَ → اُسْتُخْدِمَ، اِعْتَقَلَ → اُعْتُقِلَ. Note a ortografia: o alif mantém-se nu (وَصْل), leva simplesmente uma ḍamma em vez da sua kasra habitual. O imperfeito não tem esse alif e não precisa desta exceção: يُنْتَخَبُ، يُسْتَخْدَمُ.
3. Segunda exceção: um passado que começa por um تَ acrescentado leva a segunda ḍamma na letra logo depois desse تَ. O تَ é a primeira letra, pelo que leva a ḍamma normal da regra 1, e o primeiro radical leva a extra. Isto cobre as formas V e VI: تَعَلَّمَ → تُعُلِّمَ، تَبادَلَ → تُبودِلَ. Estas passivas são raras, mas uma delas é árabe de jornal do dia a dia: تُوُفِّيَ «ele faleceu», a passiva de تَوَفّى.
4. As vogais longas dobram-se para encaixar na receita. Onde o esquema tem um ا longo que agora tem de levar uma ḍamma, ele surge como و: forma III شاهَدَ → شوهِدَ، ساعَدَ → سوعِدَ; forma VI تَبادَلَ → تُبودِلَ. No imperfeito o ا não é afetado, porque uma fatḥa é exatamente o que já traz: يُشاهَدُ، يُتَبادَلُ. Nada aqui é uma exceção — a receita das vogais simplesmente vence.
5. As formas VII e IX não têm passiva no uso comum. اِنْكَسَرَ já significa «partiu-se, sem se nomear quem o fez», e اِحْمَرَّ «ficou vermelho» não tem complemento nenhum para promover. Ambos são intransitivos e já sem agente, pelo que um dicionário ou um conjugador simplesmente não imprime nenhuma coluna مَجْهول para eles. Se um texto precisar de «a porta foi aberta por alguém não identificado», a escolha é فُتِحَ البابُ (passiva verdadeira da forma I) ou اِنْفَتَحَ البابُ (forma VII, «a porta abriu-se»). A forma اُنْفُتِحَ não é algo que vá encontrar.
6. Um prefixo com ḍamma não significa passiva por si só. A lição 46 já avisava disto, e é aqui que isso morde. As formas II, III e IV e o quadrilítero levam um prefixo com ḍamma também no ativo. O que os distingue é a vogal antes da última letra — kasra para esses ativos, fatḥa para qualquer passiva:
يُعَلِّمُ «ensina» contra يُعَلَّمُ «é ensinado»; يُشاهِدُ «observa» contra يُشاهَدُ «é observado»; يُرْسِلُ «envia» contra يُرْسَلُ «é enviado»; يُتَرْجِمُ «traduz» contra يُتَرْجَمُ «é traduzido». Uma única marca, dois significados opostos — o melhor argumento que este percurso pode dar a favor de imprimir a تَشْكيل.
7. نائِبُ الفاعِلِ é مَرْفوع, e o verbo concorda com ele. Pegue em كَتَبَ الطّالِبُ الرِّسالَةَ. Elimine o agente, e الرِّسالَةَ — acusativo porque era o complemento — move-se para o lugar deixado vago e torna-se مَرْفوع: كُتِبَتِ الرِّسالَةُ. Duas coisas mudam ao mesmo tempo, e quem aprende normalmente só faz uma delas: o caso e a concordância. O verbo concorda agora em género com o seu substituto, por isso كُتِبَتْ com um تاء, não كُتِبَ.
A concordância segue as regras normais que já conhece. O verbo antes do seu substituto mantém-se no singular: اُعْتُقِلَ المُتَّهَمونَ. Os plurais não humanos levam concordância no feminino singular (lição 11): تُباعُ الكُتُبُ، أُرْسِلَتِ الرَّسائِلُ، تُرْجِمَتْ رِواياتُهُ. Um substituto do agente comporta-se em tudo como qualquer outro sujeito de uma frase verbal (lição 19) — só a forma do verbo é invulgar.
8. Quando o verbo chega ao seu complemento através de uma preposição, é o جارّ والمَجْرور que assume o lugar. Verbos como عَثَرَ عَلى «encontrar», أَشارَ إِلى «apontar», أَعْلَنَ عَنْ «anunciar» não têm complemento direto para promover (lição 30), pelo que a locução preposicional serve de substituto — e como um شِبْه جُمْلَة não tem género nem número próprios, o verbo fica congelado no masculino singular: عُثِرَ عَلَى الحَقيبَةِ، أُشيرَ إِلى أَنَّ…، أُعْلِنَ عَنْ نَتائِجِ الاِنْتِخاباتِ. Escrever عُثِرَتِ الحَقيبَةُ é o erro padrão aqui: الحَقيبَة nunca foi complemento e não pode tornar-se substituto.
9. Dois complementos, um só substituto. Os verbos que levam dois acusativos — أَعْطى، مَنَحَ، عَلَّمَ — promovem o primeiro e deixam o segundo onde estava: أَعْطى المُديرُ الطّالِبَ جائِزَةً → أُعْطِيَ الطّالِبُ جائِزَةً. O segundo acusativo não é um resto por engano; simplesmente não tem lugar nenhum para onde se mover. (A família de ظَنَّ, cujos dois acusativos se comportam de forma diferente, é a lição 59.)
10. A passiva normalmente não nomeia agente. É aqui que os hábitos do inglês fazem mais estragos. A passiva existe precisamente porque quem pratica a ação é desconhecido, irrelevante ou deliberadamente não dito, pelo que o uso clássico não junta nenhum complemento agente — se quiser nomear quem o fez, use o ativo. Existem dois recursos modernos e ambos exigem cuidado:
- بِواسِطَةِ significa «por meio de, através de» e vai com instrumentos e canais: أُرْسِلَتِ الوَثائِقُ بِواسِطَةِ البَريدِ الإِلِكْتْرونِيِّ. Usá-lo para uma pessoa — قُتِلَ بِواسِطَةِ الجُنودِ — é um reflexo de tradução, e soa mal.
- مِنْ قِبَلِ + genitivo (اُعْتُقِلَ الرَّجُلُ مِنْ قِبَلِ الشُّرْطَةِ) é o que a imprensa de facto escreve. Reconheça-o; é registo de imprensa e pertence à lição 69, não à sua própria prosa neutra.
11. Os modos e قَدْ não mudam nada por dentro. A passiva leva as mesmas terminações do ativo, porque as terminações nunca foram assunto da passiva: لَنْ يُباعَ البَيْتُ (conjuntivo, lição 33), لَمْ يُنْشَرِ الخَبَرُ (jussivo, lição 35), قَدْ كُتِبَتِ الرِّسالَةُ (lição 45), كانَ البابُ قَدْ فُتِحَ. Não existe imperativo passivo — não se pode ordenar a alguém que sofra algo.
12. Sem vocalização, as duas vozes são as mesmas letras. كتب الدرس é tanto كَتَبَ الدَّرْسَ «ele escreveu a lição» como كُتِبَ الدَّرْسُ «a lição foi escrita», e só o contexto decide. Este é o caso mais útil de todos para a competência de leitura sem vocalização: procure um agente nomeado (se houver um, o verbo é ativo), e continue a ler — um مِنْ قِبَلِ، أَمْسِ في الجَريدَةِ a seguir, ou um nome isolado depois do verbo sem mais nada que possa ser quem pratica a ação, apontam para uma passiva. لا يوجَدُ não deixa nada para resolver — o seu ativo يَجِدُ escreve-se sem o و — e ولد seguido de uma data ou de um lugar lê-se وُلِدَ naturalmente.
13. Deixado para outras lições. O particípio passivo مَفْعولٌ - مَكْتوبٌ، مُسْتَخْدَمٌ — cobre muito do mesmo terreno com um nome em vez de um verbo, e é a lição 53. As passivas da família de ظَنَّ são a lição 59.
Formas e estruturas
A receita numa só tabela. Tudo o resto decorre destas quatro células.
| أَوَّلُ الكَلِمَةِ | ما قَبْلَ الآخِرِ | مِثالٌ | |
|---|---|---|---|
| الماضي | ضَمَّة | كَسْرة | كُتِبَ |
| المُضارِع | ضَمَّة عَلى حَرْفِ المُضارَعَةِ | فَتْحة | يُكْتَبُ |
As formas, ativo contra passivo. Aqui a forma I é كَتَبَ, depois عَلَّمَ (II), شاهَدَ (III), أَرْسَلَ (IV), تَعَلَّمَ (V), تَبادَلَ (VI), اِنْكَسَرَ (VII), اِنْتَخَبَ (VIII), اِسْتَخْدَمَ (X) e o quadrilítero تَرْجَمَ. A forma IX fica de fora pela mesma razão que a VII.
| الوَزْن | المَعْلوم (ماضٍ) | المَجْهول (ماضٍ) | المَعْلوم (مُضارِع) | المَجْهول (مُضارِع) |
|---|---|---|---|---|
| eu | كَتَبَ | كُتِبَ | يَكْتُبُ | يُكْتَبُ |
| II | عَلَّمَ | عُلِّمَ | يُعَلِّمُ | يُعَلَّمُ |
| III | شاهَدَ | شوهِدَ | يُشاهِدُ | يُشاهَدُ |
| IV | أَرْسَلَ | أُرْسِلَ | يُرْسِلُ | يُرْسَلُ |
| V | تَعَلَّمَ | تُعُلِّمَ | يَتَعَلَّمُ | يُتَعَلَّمُ |
| VI | تَبادَلَ | تُبودِلَ | يَتَبادَلُ | يُتَبادَلُ |
| VII | اِنْكَسَرَ | لا مَجْهولَ لَهُ | يَنْكَسِرُ | لا مَجْهولَ لَهُ |
| VIII | اِنْتَخَبَ | اُنْتُخِبَ | يَنْتَخِبُ | يُنْتَخَبُ |
| X | اِسْتَخْدَمَ | اُسْتُخْدِمَ | يَسْتَخْدِمُ | يُسْتَخْدَمُ |
| رُباعِيّ | تَرْجَمَ | تُرْجِمَ | يُتَرْجِمُ | يُتَرْجَمُ |
Um paradigma completo de pessoas — سُئِلَ / يُسْأَلُ, «ser perguntado». As terminações são as que aprendeu nas lições 14 e 18, sem alteração. Só o interior do radical é novo. O dual e a segunda pessoa do plural feminino ficam de fora; levam as terminações que já conhece.
| الضَّمير | الماضي المَجْهول | المُضارِع المَجْهول |
|---|---|---|
| أَنا | سُئِلْتُ | أُسْأَلُ |
| أَنْتَ | سُئِلْتَ | تُسْأَلُ |
| أَنْتِ | سُئِلْتِ | تُسْأَلينَ |
| هُوَ | سُئِلَ | يُسْأَلُ |
| هِيَ | سُئِلَتْ | تُسْأَلُ |
| نَحْنُ | سُئِلْنا | نُسْأَلُ |
| هُمْ | سُئِلوا | يُسْأَلونَ |
| هُنَّ | سُئِلْنَ | يُسْأَلْنَ |
Raízes fracas e problemáticas. É aqui que a passiva é mais fácil do que o ativo: seja qual for a classe do ativo, a passiva colapsa-a numa única forma. Todo o verbo أَجْوَف que se encurta no ativo — forma I e formas IV, VIII e X (lição 50) — tem a forma قيلَ / يُقالُ: ي no passado, ا no presente. Todo o verbo ناقِص termina em ـِيَ no passado e em ـى no presente, seja qual for a letra que o seu ativo usava.
| النَّوْع | المَعْلوم | المَجْهول (ماضٍ) | المَجْهول (مُضارِع) | Tradução |
|---|---|---|---|---|
| أَجْوَف I | قالَ - يَقولُ | قيلَ | يُقالُ | ser dito |
| أَجْوَف I | باعَ - يَبيعُ | بيعَ | يُباعُ | ser vendido |
| أَجْوَف IV | أَقامَ - يُقيمُ | أُقيمَ | يُقامُ | realizar-se (um evento) |
| أَجْوَف VIII | اِخْتارَ - يَخْتارُ | اُخْتيرَ | يُخْتارُ | ser escolhido |
| ناقِص I | دَعا - يَدْعو | دُعِيَ | يُدْعى | ser convidado, chamado |
| ناقِص I | رَمى - يَرْمي | رُمِيَ | يُرْمى | ser atirado |
| ناقِص I | بَنى - يَبْني | بُنِيَ | يُبْنى | ser construído |
| ناقِص IV | أَعْطى - يُعْطي | أُعْطِيَ | يُعْطى | ser dado |
| مِثال I | وَجَدَ - يَجِدُ | وُجِدَ | يوجَدُ | ser encontrado, existir |
| مُضَعَّف I | رَدَّ - يَرُدُّ | رُدَّ | يُرَدُّ | ser devolvido |
| مَهْموز I | سَأَلَ - يَسْأَلُ | سُئِلَ | يُسْأَلُ | ser perguntado |
| مَهْموز I | قَرَأَ - يَقْرَأُ | قُرِئَ | يُقْرَأُ | ser lido |
Os verbos hamzados mudam de cadeira, não de som: uma hamza com uma kasra sobre ela ou antes dela senta-se num ي (سُئِلَ، قُرِئَ), e uma hamza com sukūn depois de uma ḍamma senta-se num و (يُؤْخَذُ, de أَخَذَ).
Exemplos
| العربية | Português |
|---|---|
| كُتِبَتِ الرِّسالَةُ بِخَطٍّ جَميلٍ. | A carta foi escrita com letra bonita. |
| تُباعُ الكُتُبُ القَديمَةُ في هٰذَا السّوقِ. | Vendem-se livros antigos neste mercado. |
| اُنْتُخِبَ رَئيسٌ جَديدٌ لِلْجامِعَةِ. | Foi eleito um novo presidente para a universidade. |
| يُسْتَخْدَمُ هٰذَا البَرْنامَجُ في كُلِّ المَدارِسِ. | Este programa é usado em todas as escolas. |
| وُلِدَ الشّاعِرُ في قَرْيَةٍ صَغيرَةٍ قُرْبَ دِمَشْقَ. | O poeta nasceu numa pequena aldeia perto de Damasco. |
| سُئِلْتُ عَنْ رَأْيي في المَوْضوعِ. | Perguntaram-me a minha opinião sobre o assunto. |
| يُقالُ إِنَّ الطَّريقَ سَيُغْلَقُ غَدًا. | Diz-se que a estrada vai ser fechada amanhã. |
| بُنِيَتِ المَدْرَسَةُ قَبْلَ خَمْسينَ عامًا. | A escola foi construída há cinquenta anos. |
| دُعيتُ إِلى مُؤْتَمَرٍ في تونِسَ. | Fui convidado para uma conferência em Tunes. |
| شوهِدَ المُتَّهَمُ قُرْبَ المَحَطَّةِ. | O acusado foi visto perto da estação. |
| لا يوجَدُ حَلٌّ سَهْلٌ لِهٰذِهِ المُشْكِلَةِ. | Não há solução fácil para este problema. |
| عُثِرَ عَلَى الحَقيبَةِ في المَطارِ. | A mala foi encontrada no aeroporto. |
| تُرْجِمَتْ رِوايَتُهُ إِلى عَشْرِ لُغاتٍ. | O romance dele já foi traduzido para dez línguas. |
| أُعْطِيَ كُلُّ طالِبٍ نُسْخَةً مِنَ الكِتابِ. | Foi dado um exemplar do livro a cada aluno. |
Erros frequentes
- كُتِبَ الرِّسالَةَ -> كُتِبَتِ الرِّسالَةُ — o antigo complemento é agora نائِبُ الفاعِلِ. Duas coisas têm de mudar ao mesmo tempo: o caso passa a مَرْفوع, e o verbo concorda com ele em género.
- يُكْتِبُ الدَّرْسُ -> يُكْتَبُ الدَّرْسُ — a passiva do imperfeito tem uma fatḥa antes da última letra. Uma kasra ali dá um verbo ativo de outra forma, não uma passiva.
- إِنْتُخِبَ الرَّئيسُ -> اُنْتُخِبَ الرَّئيسُ — esse alif é هَمْزَةُ وَصْلٍ (lição 48) e escreve-se nu na passiva exatamente como no ativo; só a sua vogal muda, de kasra para ḍamma.
- اِنْتُخِبَ الرَّئيسُ -> اُنْتُخِبَ الرَّئيسُ — e a ḍamma vai no alif assim como na terceira letra. O mesmo para a forma X: اُسْتُخْدِمَ، nunca اِسْتُخْدِمَ.
- قُوِلَ لَنا إِنَّهُ مُسافِرٌ -> قيلَ لَنا إِنَّهُ مُسافِرٌ — uma raiz oca não pode manter aqui o seu و do meio; a passiva do passado de um verbo أَجْوَف da forma I é a forma قيلَ.
- يُقولُ إِنَّ الاِجْتِماعَ غَدًا -> يُقالُ إِنَّ الاِجْتِماعَ غَدًا — e a passiva do imperfeito de um verbo oco é a forma يُقالُ, com ا. يَقولُ com prefixo em fatḥa é o ativo.
- كَيْفَ يُدْعي هٰذَا الطَّبَقُ؟ -> كَيْفَ يُدْعى هٰذَا الطَّبَقُ؟ — a passiva do imperfeito de um verbo ناقِص termina sempre em أَلِف مَقْصورة, nunca em ي, seja qual for a terminação do ativo.
- يُباعُ الكُتُبُ هُنا -> تُباعُ الكُتُبُ هُنا — um substituto do agente no plural não humano leva concordância no feminino singular, tal como qualquer outro sujeito (lição 11).
- قُتِلَ الرَّجُلُ بِواسِطَةِ الجُنودِ -> قَتَلَ الجُنودُ الرَّجُلَ — a passiva árabe não nomeia agente nenhum, e بِواسِطة é «por meio de», para instrumentos e canais. Se quiser nomear quem pratica a ação, use o ativo.
- اُنْفُتِحَ البابُ -> فُتِحَ البابُ — a forma VII é intransitiva e já não tem agente, pelo que não há passiva nenhuma a construir. Use a passiva da forma I, ou اِنْفَتَحَ البابُ.
Dicas
- Treine a receita como som, não como lista: u-i para o passado, u-a para o presente. كُتِبَ / يُكْتَبُ é o diapasão — cante-o e qualquer verbo que encontrar encaixa no lugar.
- Conjugue o ativo que já conhece, e depois repinte as vogais. As terminações, os prefixos pessoais e os modos ficam intactos, pelo que não há um segundo paradigma para decorar.
- Uma ḍamma no prefixo não é uma passiva por si só — يُعَلِّمُ، يُشاهِدُ، يُرْسِلُ، يُتَرْجِمُ são todos ativos. O seu olhar deve ir sempre para a vogal antes da última letra.
- As raízes fracas são um alívio aqui. Todo o verbo oco que se encurta no ativo é قيلَ - يُقالُ, todo o verbo deficiente é رُمِيَ - يُرْمى, e a divisão و/ي do ativo deixa de importar.
- Leia uma página de notícias e colecione as fórmulas de imprensa congeladas por inteiro: يُذْكَرُ أَنَّ، أُشيرَ إِلى أَنَّ، أُعْلِنَ عَنْ، عُثِرَ عَلى. São passivas com um substituto preposicional e nunca mudam de forma.
- Se não tiver a certeza de uma passiva vocalizada, procure o verbo em vez de adivinhar — um conjugador como qutrub.arabeyes.org imprime a coluna المَجْهول ao lado da المَعْلوم.
- Um contraste rotulado, não algo a imitar: a passiva interna desapareceu em grande parte dos dialetos falados, que usam em vez dela um verbo do tipo اِنْفَعَل / اِتْفَعَل. Por escrito, o árabe literário espera a passiva por mudança de vogal.
- Ignore por agora o particípio passivo مَكْتوبٌ (lição 53) e qualquer substituto do agente que não seja um complemento promovido. Complemento-para-sujeito é o caso que cobre quase tudo o que vai ler.